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, 20 de janeiro de 2020.
11/02/2014
Neurociências
Sistema piramidal

            Sistema piramidal

 Henrique S. Ivamoto

 

            O sistema piramidal é responsável pela execução dos movimentos voluntários, realizados através dos músculos estriados. As fibras do sistema piramidal originam-se principalmente nas células piramidais gigantes ou células de Betz localizadas na área 4 de Brodman. A área motora situa-se na parte posterior do giro pré-central, no lobo frontal. Outras fibras do sistema piramidal originam-se nas ar eas 6, 3, 2 e 1. A área 6 corresponde à chamada área pré-motora, situando-se à frente da área motora, no lobo frontal. As áreas 3, 2 e 1 situam-se no giro pós-central, do lobo parietal.

         Os neurônios motores do sistema piramidal são chamados neurônios motores superiores. Suas fibras estabelecem sinapses com os neurônios motores de núcleos do tronco encefálico e neurônios motores da coluna cinzenta anterior da medula, chamados neurônios motores inferiores ou neurônios alfa. Os nervos periféricos (cranianos ou espinhais) originários dos neurônios motores inferiores, inervam os músculos estriados, que contraem e provocam os movimentos.

         As fibras do trato piramidal constituem o trato córtico-nuclear (constituído pelos tratos córtico-mesencefálico, córtico-pontino e córtico-bulbar) e o trato córtico-espinhal.  As fibras do trato piramidal, após saírem do córtex cerebral, descem pela coroa radiada, passam pela perna posterior da capsula interna, ocupam a base do pedúnculo cerebral, a base da ponte e as pirâmides na base do bulbo. Pelo fato de suas fibras ocuparem as pirâmides do bulbo, recebeu o mesmo o nome de trato piramidal.

Na decussação das pirâmides, situada na parte distal do bulbo, a maior parte (75% a 90%) das fibras do trato córtico-espinhal cruzam para o lado oposto, constituindo o trato córtico-espinhal lateral ou cruzado, ocupando o funículo lateral da medula. A porção remanescente (25% a 10%) das fibras constituem o trato córtico-espinhal ventral ou direto, ocupando o funículo anterior da medula. Uma parte das fibras do trato córtico-espinhal ventral inerva neurônios motores inferiores do mesmo lado, enquanto outra parte cruza para o outro lado, inervando neurônios motores contralaterais. (Decussar significa fazer o deca, X, número dez em algarismo romano).

         A separação esquemática em sistemas piramidal e extrapiramidal, embora criticada por alguns anatomistas, é útil na prática clínica, pois as manifestações de suas lesões são diferentes.

 

LESÕES PIRAMIDAIS

Lesões do sistema piramidal causam paralisias (incapacidade para realizar movimentos, com perda total da força) ou paresias musculares (dificuldade para realizar movimentos, com perda parcial da força).

Lesões na área motora (4) ou no trato piramidal inicialmente causam paralisia flácida, com perda do tonus e dos reflexos miotáticos. Após algumas semanas, instala-se uma paralisia espástica, com hipertonia e hiperreflexia. A razão precisa da hiperreflexia e da hipertonia não é conhecida. Uma das hipóteses é que seja devida à lesão de fibras extrapiramidais que, normalmente, exercem ação inibitória sobre o neurônio motor inferior. Outra explicação seria a lesão de fibras procedentes de áreas supressoras e do sistema reticular que, normalmente, exerceriam uma ação inibitória sobre os neurônios motores gama. Sua lesão provocaria liberação dos neurônios gama, que manteriam as partes polares das fibras intra-fusais constantemente contraídas, o que causaria o constante estiramento das suas partes equatoriais, tornando-as hipersensíveis e hiperreativas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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